E aí está a primeira versão da matéria.

Espero que gostem!

Estudo da Unicamp mostra que o diagnóstico do transtorno bipolar pode ficar mais fácil

Os pacientes bipolares apresentam menores índices de uma proteína

por Anna Carolina Cardoso Pinheiro

O doutorado da pesquisadora Alessandra Sussulini, do Instituto de Química da Universidade de Campinas (Unicamp), pode mudar os rumos do diagnóstico da chamada “doença da moda”. A doutoranda descobriu que os pacientes bipolares têm menor quantidade da proteína apolipoproteína A-I, relacionada ao metabolismo de lipídios. Naqueles que não utilizam o lítio, droga predominante no tratamento, a quantidade é ainda menor. O transtorno bipolar do humor (TBH) atinge, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 1 a 3% da população mundial, sendo que a incidência entre homens e mulheres é a mesma. A doença caracteriza-se pela alternância da fase maníaca com a depressiva e acredita-se que seu aparecimento tenha influência genética.

Descobrir-se bipolar não é agradável em nenhuma fase da vida. A doença, no entanto, costuma ser diagnosticada entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Estudos recentes, no entanto, indicam um aumento significativo na incidência do transtorno entre crianças e adolescentes. Nos Estados Unidos, entre 1994 e 2003, o número de casos aumentou 40 vezes. No Brasil, os casos nessas faixas etárias também cresceram consideravelmente.

Guilherme Rodrigues de Oliveira, 19 anos, cursa direito. Antes de entrar na faculdade dedicava grande parte de seu dia ao piano e ao futebol. O que nem todos sabem é que essa rotina fazia parte do tratamento que Guilherme faz, contra o transtorno bipolar do humor (TBH). Criança muito agressiva e briguenta, ele arrumava muita confusão no colégio, o que levou seus pais a buscarem ajuda. Diagnosticado aos seis anos de idade, só com o passar dos anos entendeu a complexidade do que sentia.

Já Larissa Mattos, nome fictício, 18 anos, foi diagnosticada no início de sua pré-adolescência. Iniciou o tratamento a base de carbonato de lítio e terapia sem saber que era bipolar. Descobriu três anos depois, e sua aceitação não foi nada boa. “Querendo ou não, é um problema na sua cabeça, na sua mente. Ninguém quer ouvir isso”, desabafa Larissa. Hoje, a estudante reconhece que dava sinais do TBH desde cedo e, mais do que isso, que sua família e amigos próximos sofriam muito com suas repentinas e constantes mudanças de humor.

Dinoê César Urbano, 22 anos, concorda. Irmão de uma bipolar, o estudante de jornalismo teve de aprender conviver com tantas alterações de humor da irmã. “É muito difícil saber que alguém que amamos sofre de algo que não tem cura”, lamenta Dinoê. O estudante conta ainda que a aceitação não é fácil, o que acaba por magoar a família.

Mas, até que ponto as oscilações no humor são normais? Quando é o momento de se preocupar e procurar ajuda médica? Guilherme e Larissa ressaltam a agressividade excessiva como um indício de que alguma coisa não está bem. Para ele, é fundamental que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos. “Todo mundo tem altos e baixos, dias que está mais agitado ou mais calmo, mas mudar muito rápido ou permanecer muito tempo com o mesmo temperamento não é comum”, explica o estudante.

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